A campanha bolsonarista para 2022 já começou

A troca no comando da Petrobras indica que Bolsonaro irá usar de todas as armas possíveis para assegurar seu passe até a próxima eleição presidencial. O chefe do executivo federal usa de discursos populistas para justificar seus arroubos e incoerências.




Bolsonaro fala ao microfone, o equipamento está em um pedestal e ele usa terno preto
Foto: BBC Brasil

Aos que ainda devaneiam achando que 2022 não começou, é preciso indicar que as articulações para a próxima eleição geral sequer tiverem pausas desde 2018. Agora, o atual presidente da República caminha para o início oficial de sua campanha pela reeleição, aliás, Bolsonaro nunca parou de lutar por ela. Porém, no meio do caminho encontrou algumas dificuldades e viu que o trajeto não seria tão simples como ele outrora planejou.

A mudança na Petrobras é o estarte que faltava. O discurso populista que em tese seria contra o aumento dos combustíveis, mas na realidade é apenas mais um jogo. Bolsonaro, apesar de contar com articulação limitada, conhece minimamente sua militância. Assim, joga para a plateia. Por sua vez, a plateia devolve a ele gritos rasos e vazios de mito ou coisa similar.

Bolsonaro compreende que os rumos para reeleição serão bastante difíceis, especialmente por causa da pandemia de Covid-19. No entanto, ele tem agindo para manter em sua linha de frente a base de apoio que atualmente o sustenta. A aprovação ao executivo federal é a margem de votos que o político em questão almeja conseguir no primeiro turno de 2022. Desta forma, hoje em dia Bolsonaro governa para sua militância, e para nada além dela. Todos os caminhos traçados tem um objetivo claro e simples, manter uma linha de apoio que não diminua a menos de 27%.

Esta luta é a justificativa para que em 2020 tenha se observado a extensão do Auxílio Emergencial. Logicamente que neste bojo não se deve esquecer a atuação frontal do Congresso, que foi decisivo para o aumento do valor e para continuidade do benefício.

Neste momento, se discute a volta do auxílio, aqui reafirma-se, há duas questões básicas para a nova rodada de parcelas; a primeira claramente caminha ao encontro da necessidade do corpo social, que segue exposto a duras consequências da pandemia vivenciada. Entretanto, a segunda tem um fator político eleitoral central, o Auxílio Emergencial representou uma crescente positiva aos números de aprovação do governo. Números que se tornaram mais modestos desde o fim da ajuda governamental.

Foto: Agência Brasil

 Dono de raso domínio sobre questões técnicas, independente quais sejam elas, Bolsonaro vive uma eterna campanha política, o marco na Petrobras é apenas um divisor de águas. Pois novas mudanças estão por vir, e o setor elétrico deve ser o próximo a ser afetado. Assim, a figura maior do bolsonarismo mostra-se também, mais uma vez, incoerente. Nesse seguimento, é fundamental apontar que o neoliberalismo que ora conseguia ao menos a retórica, hoje sequer se sustenta.

Bolsonaro demitiu Castello Branco, ex-presidente da petroleira, como se ele não fosse indicação sua. Castello Branco, inclusive, era homem de confiança de Paulo Guedes, este, segue cada vez mais desnecessário, pois de posto Ipiranga, passou a fantoche. Bolsonaro nomeou para Petrobrás um General da reserva, Joaquim Silva e Luna. Desde 1988 a empresa não era comandada por um militar.

A politicagem de campanha de Bolsonaro é altamente nociva ao país. Nociva porque a conta será cobrada em breve. E esta tem potencial para assustar bem mais que o preço da gasolina e do diesel.

Bolsonaro está em franca busca por 2022, se articula e buscará alianças e conchavos, a chegada do Centrão ao seu barco é a prova de que ainda há muito a ser feito. Bolsonaro tem fortes limitações políticas, tende a se assoberbar e diminuir por si só as suas chances. No entanto, ele tem a máquina na mão, o controle e a possibilidade de ação. Além de uma sanha autoritária sem tamanho.

Diante disso, é preciso olhar atento, pois se antes, na negativa do desejo de reeleição já se viam movimentos indefensáveis, é possível que agora se veja o além do absurdo. Ou melhor, o além do absurdo já se nota.

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Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema.E-mail: [email protected]

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