Governo Bolsonaro: dois anos de ineficiência

Ao atingir a primeira metade de sua gestão, Bolsonaro não traz novidades, persiste consolidando a imagem de um gestor incapaz e ignorante aos reais problemas do país.




Foto: BBC Brasil

Em janeiro de 2019 tinha início o novo ciclo de poder na presidência da República, sob muitas críticas, mas ancorado em alguns apoiadores, Jair Bolsonaro assumia o posto de mandatário maior da nação. Hoje, janeiro de 2021, a gestão Bolsonaro atinge metade de seu período, e o quadro mostrado até aqui não encaminha para grandes possibilidades na metade que resta.

O Governo Bolsonaro começou apoiando-se em bandeiras de anticorrupção, segurança pública, conservadorismo e inserção de aspectos neoliberais no contexto econômico. Entretanto, atualmente, praticamente nenhuma dessas pautas se sustenta, a maioria delas vem seguidamente se desmoronando e evidenciando um gestor ineficaz, incoerente e cego as maiores dores do contexto nacional.

Durante estes primeiros dois anos, o Governo lidou com diversas crises de origem política e econômica, todavia, é importante que se diga que majoritariamente as crises foram fundadas pelo próprio Governo. Nesse sentido, pontua-se que não se trata de uma gestão envolta em duros problemas, o Governo é o problema. Especialmente, porque as autoridades constituídas no Planalto são bastante afeitas a polemica e ao autoritarismo.

Esta primeira metade é marcada pela inoperância das instâncias do executivo federal, poucas vezes se observou um Planalto tão distante de cotidiano dos cidadãos. Bolsonaro constrói a imagem de simplicidade, porém, ela não se mantém viva, é desmontada pelos exorbitantes gastos com cartão corporativo, pela ineficiência de suas ações, pela não sustentação de seus posicionamentos. A inoperância é evidenciada na sequência de medidas provisórias, desde de 2003 um Governo não editava tantas MPs.

Bolsonaro declara o fim da corrupção, o fim da Lava Jato, no entanto, esquece que sua família se encontra envolvida em escândalos dessa ordem. A rachadinha segue, e também seguem as atividades do executivo federal para impedir que se fale e que se investigue o assunto. A moralidade bolsonarista não se mantém de pé, ela não aguenta o olhar devassante da imprensa, e muito menos o peso da justiça.

Tem-se em Brasília alguém que desconhece as pautas econômicas que defendeu, Jair Bolsonaro é alheio aos aspectos econômicos, mas manda e desmanda, fala e desautoriza. Bolsonaro não é capaz de elaborar com profundidade de um milímetro as bases que constroem o pensamento neoliberal. Neoliberalismo que foi pauta de campanha, e que o fez ser adotado por parte da elite nacional.

Paulo Guedes, o posto Ipiranga, hoje simplesmente ocupa o assento, creio que ele gostou da sensação de poder, pois é a única coisa que resta, a sensação. Guedes é refém de si mesmo, refém do que disse que seria possível fazer. Atualmente, atende aos desmandos do presidente, enquanto faz isso ele finge que há racionalidade naquilo que é expresso, finge para as câmeras que concorda com os rumos. Hoje, Guedes é refém de sua fantasia. Refém da crença de que possui alguma possibilidade de comando.

Os jardins do Planalto, nesses dois anos, estiveram cobertos por manifestações antidemocráticas, atos que atentam a liberdade e a ordem de um Estado de direito. Bolsonaro, dono de uma sanha autoritária sem tamanho, esteve presente em diversos desses momentos, discursou e inflamou seus apoiadores a marcharem contra o exercício da liberdade. Bolsonaro, ignóbil, não compreende a magnitude do posto ocupado, pensa, em seus momentos de devaneio, que é dono de poder ilimitado.

É característica dos líderes vazios a crença na resolução fácil para problemas estruturais. Também é característica destes pseudo líderes a loucura da perseguição, e a crença em sua razão infinita. Os dois primeiros anos de Governo mostram um Bolsonaro que é conhecido, não há muitas novidades, trata-se de alguém incapaz de atingir a razoabilidade, inoperante ao exercício da crítica, e ciente de sua rasa potência.

Bolsonaro é conhecedor de sua rasidão, por isso grita, inflama, e age como se estivesse externamente em guerra. Esta foi a forma encontrada para tentar ocultar sua ingestão, indecência e incapacidade. Ele assume o papel da brutalidade, tenta emular ensinamentos de Maquiavel, porém, como não é afeito a leitura, faz errado e mal.

São dois anos de ataque a imprensa, cercamento de liberdade e descarada censura. O papel do jornalismo é informar, buscar dizer defronte a realidade aquilo que se constitui como fato. Imprensa não é situação, e nunca deve ser, imprensa é oposição. O papel do jornalismo é fazer a pergunta indigesta, apontar o não resolvido e questionar o presidente em suas incoerências. Infelizmente, tem-se um Governo que pouco crer na função informativa, e que acha que o melhor método de trabalho é a insurgência contra quem informa.

Não obstante, é preciso informar sobre a situação absurda das universidades brasileiras, tendo verbas diminuídas e interventores nomeados como reitor. É preciso dizer que não houve avanço no caminho de um ensino de melhor qualidade, pois o Ministério da Educação foi seguidamente, e ainda, usado para uma batalha ideológica insensata.

É fundamental indicar que este Governo não compreende o que é arte, cultura e vida. Acaba com o Ministério da Cultura e sucateia a Secretaria criada. A Fundação Nacional da Arte é entregue a quem não sabe o porquê da arte, entregue a quem emula goebbels (Ministro da propaganda nazista). A Ancine está envolta em uma luz difusa, já a Cinemateca abandonada para morrer.

Em dois anos foram 13 trocas de ministro, a saída de Moro certamente foi a mais tumultuada. Moro saiu em meio a fogos de artificio, atirou para onde pôde e buscou desalinhar sua imagem da do presidente. Moro saiu deixando o Governo sob o caos, deixou a indicação de interferência na Polícia Federal. Por sua vez, o vídeo da fatídica reunião de 22 de abril assanhou ainda mais os ânimos com o Congresso e com o Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro já não sabe qual é seu plano de Governo, pode-se dizer que hoje em dia ele luta para permanecer com o ideal de mando. Hoje, tem-se no Palácio do Alvorada um ser que ocupa o lugar, mas vive para o desmando e para o desmonte, e não para o exercício profícuo da presidência.

A popularidade bolsonarista viu os piores números registrados desde que os levantamentos começaram, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Todavia, o auxílio emergencial fez com os números melhorassem, agora, após o fim do benefício, os números já indicam queda. Bolsonaro vive em uma bolha de ilusões. Bolha que concorda sem pensar, e age sem analisar as consequências.

A gestão Bolsonaro já seria péssima, mas a Covid-19 a coroa para além. A gestão Bolsonaro não é péssima, ela é detratora da vida. Vê-se no Brasil um presidente alheio ao seu povo, alheio as mortes, aos problemas do sistema de saúde, alheio a vida. A Pandemia que assola o mundo poderia ter sido menos danosa ao Brasil, seria se houvessem gestores e não bárbaros nos postos de comando. A gestão Bolsonaro preocupa-se mais em esconder os óbitos do que em evita-los, preocupa-se mais em traçar uma batalha ideológica absurda, do que em investir na vacina. Preocupa-se mais em gerar aglomerações nos arredores de Brasília, do que em trabalhar para que pais e filhos possam se abraçar novamente.

Agora, Bolsonaro diz que o país está quebrado, procura um bode expiatória para culpar pelo atraso na vacinação, se vê desesperado e isolado do mundo, brada que houve fraude nas eleições americanas e que haverá nas brasileiras. Bolsonaro segue sendo-o, segue incorporando seu álter ego de sempre. Bolsonaro ocupa o cargo como quem anseia a destruição, ocupa o cargo como quem não sabe o que é política. Ocupa desconhecendo o Brasil, seu povo e seu sofrimento.

Bolsonaro ocupa o cargo na base do grito, da ignorância e da ineficiência. Ainda haverão dois anos pela frente.  

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Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA e um apaixonado por política, literatura e cinema.E-mail: [email protected]

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