Após um ano de pandemia; em que ano estamos?

Em fevereiro de 2020 foi registrado o primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Desde então o que se nota é a profusão da desordem e do caos. Em um ano morreram mais de 250 mil pessoas, enquanto isso o executivo federal brincava/brinca de fazer política, e ao fazer isso parece não se importar em brincar com vidas humanas.




Colunas, Paulo Junior
Presidente Bolsonaro tenta colocar uma máscara e acaba se atrapalhando e cobre os olhos

Temporalmente falando vive-se o ano de 2021, mas a realidade é que o ano parece que ainda não virou, há nos fatos e nos seres uma eterna sensação de 2020. Isso ocorre porque o país vive a mais de um ano os desagravos da pandemia de Covid-19. O primeiro caso do novo coronavírus foi registrado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. De lá até aqui, o país viveu, e vive, com maestria o desenho do caos. A pior parte é que o maestro dessa sinfonia caótica atende pela alcunha de Presidente da República.

Ou melhor, pontua-se que ele ocupa o assento de presidente, pois seguidamente dá mostras e demonstrações da sua incapacidade, e inumanidade, para ocupar o cargo que temporariamente ocupa. A gestão da pandemia no Brasil parece sempre ter atingido o seu ápice. Porém, como se assistisse a um filme interminável, há a cada semana um novo susto, um novo largo de destruição.

Destruição que é programada e pensada de modo estruturado por instâncias governamentais. O Governo, responsável por dar condições que assegurem o direito a vida, indica de modo luminar que prefere indiscriminadamente a morte. A necropolítica de Mbembe se consolida no cotidiano brasileiro, se consolida quando os dados de Covid-19 são diariamente atualizados.

Como apontado no início deste texto, há um ano foi verificado primeiro caso do novo Coronavírus no país. Um ano depois, já morreram mais de 255 mil pessoas, outras milhares estão internadas em leitos de enfermaria e UTI espalhados Brasil à fora. No dia em que se atingiu a marca de um ano, o presidente da República achou por bem descredibilizar o uso de máscaras, equipamento comprovadamente necessário para minimização dos impactos da transmissão viral.

O país está entregue ao escrutínio dos que não sabem o valor do bem público, dos que não sabem o valor da vivência e da sobrevivência. Bolsonaro bebe em fonte crescente de ignorância, se apega a discursos vazios, rasos e que ultrapassam o absurdo. Hoje em dia ele desgoverna para sua base. Ao fazer isso, a ingestão se alastra como água, atinge todos os lugares e, muitas vezes, é difícil identificar a origem. A água do Governo é objetivamente insalubre, imprópria para consumo, no máximo cabe para uma observação à distância.

Poderia aqui, novamente, elaborar questões e aspectos que apontassem as falhas na condução pandêmica. Mas isso não é necessário, pois algumas das mais duras já são públicas e amplamente conhecidas. Em situações extremas, como a que se nota no cotidiano atual, devem surgir os líderes de uma nação. Aqueles que ocupam assentos institucionais necessitam com agilidade evidenciar o por quê de estarem onde estão.

Nessa lógica, se tem, mais uma vez, respostas que há muito eram conhecidas. O bolsonarismo tem compromisso consigo, dispõe de um desejo de permanência no poder, e buscará meios para assegurar essa possibilidade. Há no meio de tudo, uma intolerante sanha autoritária, que dotada de senso comum e arrogância, sente-se capaz de sanar os problemas do país na base do grito. O grito é bastante problemático.

O grito bolsonarista defronte a pandemia ampliou a sua capilaridade. O país está sendo desgovernado, e isso é notório. O chocante é haverem reais possibilidades de uma vitória da destruição no pleito geral que se avizinha. O grito bolsonarista tem parte importante nos óbitos que se observam, tem parte fundamental no novo pico que o país tragicamente vive.

Enquanto isso, o presidente da República julga por bem trazer ao jogo uma nova rixa com os governadores, usa da capacidade de recursos federais para tacitamente ameaçar chefes estaduais que optarem por medidas mais rígidas. Bolsonaro chegou a declarar que o governador que adotar lockdown terá que bancar o auxílio emergencial. Porque, aparentemente, na ilógica do ocupante do Planalto, o Governo Federal dispor de recursos de impostos para população é algo quase impraticável.

O discurso econômico é razoável, de fato há grandes necessidades de recuperação, sem isso não haverá retomada do crescimento e posterior avanço, seja no campo social ou estrutural. No entanto, ao apostar na abertura desenfreada o governo freia o crescimento. Freia, porque nem o mesmo o mercado está disposto a bancar tal manobra. Freia, porque ignorantemente discursa contra a vacinação, meio mais prático para o retorno ao “normal” tão desejado.

Agora já é março, mais de um ano de pandemia e ainda parece 2020. Porém, a impressão real é que ainda se observam as grades de 2019 ou 2018. Há uma prisão, o guarda que vigia a grade até dispõe de um molho de chaves, algumas poderiam ser usados de modo mais objetivo. Porém, ele parece de olhos fechados, pouco vê a sua frente, ao que tudo indica pouco fará.

A pandemia, espera-se, irá reduzir seu grau de ação, lentamente a vacina está chegando. Mas, mesmo com um grau razoável de vacinados, a doença irá permanecer, o Covid-19 e a inabilidade ignorante que permeia alguns espaços institucionais. Aquele guarda, vez ou outra, acorda e age de modo positivo. Resta torcer que em 2022 ele desperte do sono, porque se algum dia o gigante acordou, ele desligou o despertador e voltou a dormir.

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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