Uma aniversariante “atormentada”

Virgínia Woolf, uma das mais influentes escritoras inglesas do século XX, é autora de nove romances e trinta obras de outros gêneros. As restrições às mulheres é um dos seus temas mais explorados.




Coluna Literária, Colunas

No dia 25 de janeiro de 1882 nascia, em uma Inglaterra repressora em que a mulher não tinha nem vez, nem voz, Virgínia Woolf, aquela que se tornaria editora, ensaísta e uma das mais importantes  escritoras do século XX, cujas obras O Quarto de Jacob (1922), Mrs. Dalloway (1925), Orlando (1928), As Ondas (1931), despertariam o interesse do público e da crítica especialidade por discutir temas sociais, políticos, feministas, além de antecipar questões contemporâneas sobre  identidade, identidade de gênero e sexualidade.

Profundamente influenciada por outras mulheres – Julia Stephen (mãe), Julia Margaret (tia-avó), Vanessa Bell (irmã) e Violet Dickin­son (amiga) – Virgínia tinha a capacidade de falar de suas ideias de maneira fluída, sensível, verdadeira promovendo narrativas críticas marcadas pelo fluxo de consciência.

Afetada pela condição de subalternização das mulheres, declarava que elas tinham direito à independência financeira e à educação, até então reservada aos homens. Em 1929, publica Um Teto Todo Seu em que defendia: “Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção”. Sem essas condições, o silêncio permaneceria uma prática dominante.

A morte dos entes queridos (mãe e avó) deixou marcas para além da saudade em Virgínia: melancolia, angústia, medo e uma necessidade constante de proteção maternal. Na obra, Momentos de vida: um mergulho no passado e na emoção, ela procura tecer as lembranças do passado (infância com a família em St. Ives, água, mar), como forma de guardar os momentos mais memoráveis de sua vida.

A Segunda Guerra Mundial trouxe a destruição de sua casa em Londres durante o Blitz que acarretou mais uma das muitas crises depressivas que ela teve durante a juventude. Não suportando a dor de existir, encheu os bolsos do casaco que usava com pedras, e no dia 28 de março de 1941, ficou submersa pelas águas do rio Ouse.

Em suas obras, eternizou a ideia de uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres. Precisamos, pois, conhecê-las.

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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