Quando a palavra não faz parte da política

É preciso criar novas formas, reconhecer e potencializar as experiências que são desenvolvidas nos lugares e territórios das cidades




Estabelecer caminhos de apropriação, circulação e ampliação dos percursos da palavra é essencial para ocupação dos espaços políticos e a emancipação humana. A construção de uma política estruturante de democratização das leituras, literaturas e do livro e do estabelecimento de uma cultura leitora não é algo novo, mas que continua sendo uma pauta atual e necessária para a classe trabalhadora.

A palavra exclui e ao mesmo tempo que inclui no modo de produção, em que a produção dos bens é coletiva e apropriação privada, o que gera um mapa desigual na economia, na espacialidade urbana e no processo de decodificação e apropriação da palavra e das leituras no seu aspecto mais amplo.

A luta em defesa da escola pública, de ensino contextualizado e de formação integral deve ser percebida apenas como parte do processo de estruturação dos planos de democratização da palavra e da cultura leitura. Sendo a parte mais importante, por ser o principal espaço de difusão e apropriação da cultura erudita, esse deve ser o norte central, a escola enquanto espaço dialético de socialização do conhecimento cientifico, filosófico e estético produzido historicamente pela humanidade.

A escola deve ser percebida como parte, porque não é o único instrumento de socialização da palavra, o que requer o entendimento que a luta pela democratização da palavra e da cultura leitora atravessa a necessidade de democratizar o acesso aos veículos de comunicação, as inovações tecnológicas e ao livro impresso que continua inacessível.

O mapa da economia tem que ser redistribuído, essa é uma premissa para reconhecer a íntima ligação entre os que detém e os que não detém a palavra.  

Entretanto, é preciso criar novas formas, reconhecer e potencializar as experiências que são desenvolvidas nos lugares e territórios das cidades e que são protagonizadas pela sociedade civil e estreitar as relações com outras espacialidades do saber para que o conhecimento não seja reduzido e ilhado, a nossa meta para a classe trabalhadora, não deve ser o local e o popular, mas o universal e o erudito como ponto de chegada. Precisamos pensar numa formação que prepare as camadas populares para serem dirigentes e não dirigidas, e, para isso, ela precisa dominar o conhecimento não popular, o que não significa dispensa-lo, mas tê-lo como ponto de partida e nunca como ponto de chegada.      

Outro aspecto a ser observado, enquanto política pública do Livro, Leitura e da Literatura é o seu caráter intersetorial, é preciso integrar Cultura e Educação no processo de elaboração, execução e consolidação dos planos de democratização da palavra e da cultura leitora. Não faz sentido estratificar e segregar a política da palavra, ela deve ser compreendida como ação agregadora e como parte da formação integral.  

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Sobre Alexandre Lucas

Pedagogo, Presidente do Conselho Municipal de Políticas do Crato-CE, integrante do Coletivo Camaradas e da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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