Olga Savary: o erotismo em questão

Olga Savary estreia na década de 70 com a publicação de Espelho Provisório (1972), Prêmio Jabuti de “Autora Revelação”.




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Muitas são os caminhos que uma mulher pode seguir. Olga Savary, nascida em 21 de maio de 1933, em Belém, no Pará, admiradora da escritora Hilda Hilst (1930-2004), por exemplo, destacou-se no universo das palavras. Além de jornalista e contista, foi poeta. Publicou quatorze livros de poemas, dentre eles: Berço Esplendido (1987), Retratos (1989), Éden Hades (1994). Ritmo e sonoridade caracterizam a poesia de Olga, motivo pelo qual levou o compositor Pedro Luiz das Neves, Madan, (1961-2014) a musicar alguns de seus textos, como:  “Çaiçuçáua”, “Pele” e “Geminiana”.

 Olga foi a primeira mulher a publicar um livro de poemas eróticos no Brasil –  Magma (1982). A poesia é subjetividade e resistência, é desejo, é prazer. O fazer poético pressupõe um envolvimento amoroso entre a língua e a linguagem. É preciso combinar e desnudar as palavras para a concepção poética. É difícil citar um poeta que não queira tocar, sentir, apalpar Eros, já que o erotismo faz parte da essência humana, pois, somos criaturas solitárias. 

Em Magma (1982), a mulher é colocada tanto como um sujeito ativo como passivo da relação amorosa. Além disso, o corpo é descrito como um templo do prazer. É importante salientar que a obra vem à tona em um cenário de lutas, repressão, censura (aqui no Brasil, Ditadura, de 1964-1985), mas também de afirmação do feminismo.

Olga, para quem o caminho da escrita seguia um fluxo “cabeça, braço, mão, caneta e papel” enveredou, ainda, pelo universo da tradução. Foram mais de quarenta obras traduzidas: de Borges, Neruda, Varga Llosa, Garcia Lorca aos mestres japoneses do haicai, como: Bashô, Buson e Issa.

Em suma, ao logo da história, a voz e o corpo da mulher foram silenciados e vilipendiados, sobretudo, no que tange à manifestação do desejo sexual. As obras atemporais de Olga Savary permitem-nos visualizar uma mulher forte, independente, defensora de sua liberdade pessoal e social, que fala abertamente de seus desejos.

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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