O vintage está de volta? Entenda como a Geração Z está redescobrindo o passado

O que antes era considerado brega entre os jovens, agora se transforma em estilo, moda e identidade nas redes sociais.

Colunas, Evellen Rodrigues

Nos últimos anos, o Tiktok se tornou o principal palco de vários movimentos da Geração Z, entre eles, a busca e apropriação do que parecia esquecido ou ultrapassado. Câmeras digitais que marcaram os anos 2000, como a famosa Cyber-shot , por exemplo, estão reaparecendo nas redes sociais, em cliques espontâneos, com suas fotos granulosas, luz estourada e pequenas imperfeições.

No Tiktok, a busca pelas hashtags “y2k” (anos 2000) e “Y2KAesthetic” (estética anos 2000) somam 11,3 bilhões de visualizações. Na plataforma, também é possível ver tutoriais e relatos de experiências, sobre como transferir fotos da câmera digital para o computador, e como migrar para o estilo e estética dessa época, tornando o passado uma experiência prática e compartilhável.

Júlia Santos, de 14 anos, explica mais sobre essa admiração pelos anos 2.000. “Não é bem uma nostalgia… Esse estilo despertou o nosso interesse, porque tudo parecia mais brilhante e divertido lá, sabe? Pelo menos essa é a impressão que a geração deixou, principalmente o estilo Y2k e músicas da época.”

A adolescente comenta ainda que todo conteúdo relacionado a isso tem gerado muitas visualizações na internet, “vídeo, roupa e músicas desse tempo, estão viralizando muito, e você acaba aprendendo mais sobre essa geração e se apaixonando. Principalmente pelas músicas, eu tenho até na minha playlist”, comenta a jovem.

Além do Tiktok, outras redes como Pinterest, BeReal e VSCO, também participam desse resgate, inspirando looks, poses e formas de editar fotos para parecerem mais autênticas e vintage. Enquanto isso, ainda é confuso para os millennials ver que as roupas coloridas, jeans de cintura baixa, tops curtos, tênis robustos e presilhas de cabelo voltaram às ruas e feeds das redes.

Mas isso não é apenas sobre moda. Podemos perceber que esse movimento se aplica a vários aspectos da vida desses jovens e até nos “idols” que eles escolhem acompanhar. Nada é aleatório, cada clique, cada gosto musical vintage, cada escolha de roupa ou acessório, carrega intenção e transmite personalidade, como forma de se afirmar no mundo.

De acordo com a estudante de psicólogia, Sabrina Maria Lacerda, este movimento também está associado a questão social de se sentir aceito: “Nos meus estágios eu percebi isso. A gente observa que eles [os adolescentes] consideram essas coisas do passado, como algo muito mais legal, então deduzem que pra ser mais legal, mais descolados e aceitos em seus determinados grupos, devem reproduzir o que consideram admirável, no caso, os anos 2000”, explica a estudante.

Sabrina destaca ainda que esse movimento não deve ser algo preocupante, ela explica que essa paixão pelo passado, geralmente não causa desrealização: “eu vejo isso, que eles acabam gostando e aderindo a essas caracteristicas do passado, só que ao mesmo tempo, eles estão aqui no presente, e têm consciência disso”, conclui.

A constante tentativa de recriar aspectos do passado, não é algo novo. Vemos ao longo dos anos que a admiração pela geração passada sempre esteve e estará na geração presente, independente de qual seja ela, e isso serve para reflertirmos sobre os ciclos sociais infindáveis que nos cercam, e para compreendermos melhor o estilo de vida e de auto afirmação de nossos jovens.

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