O problema do governo Bolsonaro é que ele deu certo

Objetivo concluído com sucesso: Governo Bolsonaro já matou mais do que prometeu.




Coluna do Paulo Rossi, Colunas

Uma das cenas mais marcantes de Batman v. Superman tem início quando a Senadora Finch (Holly Hunter) diz, ao liderar o comitê que pretende investigar as supostas ações do Superman, “hoje é o dia da verdade”.

É com essa frase que eu gostaria de iniciar este texto e conversar sobre um fato pouco explorado: o governo Bolsonaro deu certo. Não, você não entendeu errado. O governo Bolsonaro deu certo. Quem votou em Bolsonaro esperava por todas as ações que o governo tem seguido (ou por pelo menos grande parte). Quem votou em Bolsonaro votou na mentira, na fake news, na maracutaia, negacionismo e em toda a agenda conservadora e econômica dele.

Os fracassos do governo Bolsonaro são na verdade seus únicos acertos, porque são exatamente aquilo que ele sempre pregou. Ele sempre disse que não sabia de nada. Ele sempre agiu como um pateta. Nunca teve proposta alguma de governo em área nenhuma. Quem votou nele votou nisso. E sabendo. A incompetência de Bolsonaro é o que sempre acompanhou sua trajetória, desde que foi expulso do exército e passou a mamar nas tetas do Estado como deputado aprovando míseros dois projetos em 27 anos de (des)atuação. A surpresa em tamanha incompetência atinge aos otimistas e a qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade humana. O fracasso era óbvio e marca registrada sua. Esse é seu único “mérito”.

Os fracassos econômicos de Paulo Guedes, por outro lado, só chocam a ele mesmo (e olhe lá se choca o Posto Ipiranga) e o mercado brasileiro que parece tão perverso quanto burro. Parecia bem óbvio que um governo quase militar jamais iria entregar o Estado brasileiro ao livre mercado por completo porque os militares são parte (inclusive caríssima) do Estado e portanto precisam dele. Guedes deve continuar sua jornada de tristeza por ainda não ter conseguido privatizar uma grande estatal brasileira.

SANGUE

O que une então uma parte do país a um projeto tão imbecil de poder? O desejo por sangue. Essa parte se encantou pela defesa de Bolsonaro de esterilizar pobres para evitar crimes e miséria (se choque aqui) garantindo um controle de natalidade, pelo projeto político de jogar os brasileiros mais pobres novamente na pobreza e fome (se choque aqui), de encerrar qualquer possibilidade de mudança social a partir da oportunidade a quem mais precisa (se choque aqui). E pelo desejo de vingança, de bandido morto, de sangue jorrando ao meio dia na televisão em programas policialescos que se tornaram entretenimento, de forma bizarra.

Bolsonaro prometeu e fez: seu governo é focado sempre na morte como solução. É isso que move parte desses brasileiros: a promessa de que 30 mil deveriam ser mortos para o país funcionar (se choque aqui) ou fuzilar a Rocinha (se choque aqui). Quem votou no governo Bolsonaro votou pela morte. Só choca a outra parte do país que assiste horrorizada aos dilemas diários nos quais somos submetidos esperando que as instituições façam seus trabalhos e nos protejam (ingênuos somos). Não choca a imprensa que alimentou há anos a farsa lavajatista a todo custo. Não choca a elite econômica fascista brasileira que tem nojo do que vê no espelho e “não podia parar” por 5 ou 7 mil mortes (se choque aqui) durante a pandemia e tudo bem. Essa parte não se choca com morte (só se for a dela, lógico), mas a utiliza como método.

Mas hoje é o dia de falar a verdade, como diria a senadora Finch. O governo Bolsonaro deu certo. Este é hoje o maior problema do Brasil. A agenda eleita é a de destruição. O que poderíamos esperar de um governo cujo desejo sempre foi o de acabar com o SUS, por exemplo? Como esperamos passar por momentos como os que estamos vivendo de pandemia sem um SUS gratuito e de qualidade quase privatizado em parte no ano passado (se choque aqui)? Aliás, com ou sem pandemia, num país como o Brasil, o que poderíamos esperar de um SUS fragilizado que deixa contratos importantíssimos venceram, deixando a população desassistida (se choque aqui)? Isso mesmo, a resposta para tudo neste governo: morte.

NECROPOLÍTICA

O governo Bolsonaro é centrado em necropolítica. Isso significa que o seu governo foca em eliminar um inimigo. No caso de Bolsonaro, são muitos os alvos: LGBTQIA+, negros, mulheres, indígenas, esquerdistas, pobres (se choque aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui). De novo: quem votou no Bolsonaro votou para isso. E sempre soube. Bolsonaro era o candidato a fazer arminhas com as mãos das crianças. O que alguém poderia esperar deste homem? Esperança? Vida? Morte.

Não assusta o eleitor de Bolsonaro intervenção em Polícia Federal, Amazônia às cinzas, Brasil isolado do resto do mundo. É assim que trabalha um governo militar. Quem votou em Bolsonaro votou para matar. Ele mesmo já disse que sua especialidade é essa (se choque aqui). Era óbvio que esse seria seu governo. Hoje, aliás, seu projeto político de extermínio já matou só de COVID-19 graças ao seu negacionismo e inércia mais de 218 mil brasileiros. Muito mais do que prometeu. Muito mais do que os 30 mil que pretendia. É, realmente, um sucesso para seus eleitores. Está tudo ótimo.

A nós, humanos, resta primeiro entender que o governo Bolsonaro conseguiu seus objetivos, lamentar as mortes e juntar as forças para 2022. Sejamos o projeto político da vida.

Sobre Paulo Rossi

Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri - UFCA. Amante, principalmente da 'dúvida'. Existencialista. Sonhador. Louco.

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