O debate de Barbalha deixou a sensação de falta. Faltou debate

O encontro foi promovido pela Rádio CBN Cariri e ocorreu no início da noite de hoje, 29, na Câmara Municipal




Colunas, Paulo Junior

Os debates são necessários ao contexto político, não se deve conduzir processos eletivos sem a efetivação de embates profícuos entre aqueles que postulam os cargos. Em 2020 estão em disputa por todo o país a chefia do executivo local. E em Barbalha ocorreu na noite de hoje, 29, o primeiro debate entre os candidatos ao cargo de prefeito. Debateram, Argemiro Sampaio (PSDB), candidato a reeleição, e Dr. Guilherme (PDT).

O debate foi promovido pela Rádio CBN Cariri, e aconteceu na sede da Câmara de Vereadores da cidade. Ao observar o debate certamente ficará sensação de ausência, tratou-se de uma discussão rasa e sem profundidade. Nenhum dos postulantes enfrentou coerentemente os problemas estruturais da cidade. No fim das contas o que se viu foi a construção de defesas, Argemiro tentar defender que há um legado de seu primeiro mandato, já Dr. Guilherme defende a gestão anterior de seu grupo político. A pior parte é que nesse jogo de defesas o eleitor perde, pois ouve mais do mesmo e menos do que deveria.

Em pouco menos de uma hora de efetivo debate, faltou a compreensão pelos candidatos do que significa debater. Faltou o entendimento da grandiosidade do momento e da importância de usá-lo adequadamente. Agora, fica e expressão da falta. Aparentemente faltou uma presença mais densa dos candidatos, faltou discussão, faltou olhar para o eleitor barbalhense e dizer efetivamente o que se fará, e como se pretende fazer real aquilo que é proposta.

Argemiro Sampaio (PSDB), atual prefeito, encontrou como âncora de apoio os ataques frontais a gestão de seu antecessor. Praticamente todas as perguntas do postulante à reeleição estavam marcadas pela observação do passado, faltando a ele um olhar crítico sobre as falhas notadas em sua gestão.

Dr. Guilherme (PDT) usou como muleta as imagens de seu grupo de apoio, o governador Camilo (PT), o deputado estadual Fernando Santana (PT), os deputados federais Guimarães (PT) e André Figueiredo (PDT), além do senador Cid Gomes (PDT). Citou, ainda, Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT). De fato é um lastro de nomes notáveis, porém, há que se compreender que gestão não se faz unicamente com a evocação de nomes e aliados de momento, acrescenta-se que o mandato de prefeito e de quatro anos, enquanto o de Camilo (PT) só se estende por mais dois. Logo, é preciso olhar o horizonte com mais cautela e cuidado, prospectar o mandato inteiro, ao invés de pensar apenas nos dois primeiros anos.

Como já dito, o debate foi raso, superficial e pouco explicativo. Provavelmente aquele que o viu buscando encontrar ali a definição de seu voto, segue em dúvida. Segue em dúvida porque cada candidato veio sustentado em válvulas de saída fácil, impedindo que se falasse aprofundadamente daquilo que ocorre nos rincões da cidade.

Os temas abordados foram até que bons, saúde, educação, infraestrutura, ação social. Porém, é preciso que se indique objetivamente como se fará aquilo que é proposto. Campanha política não pode em hipótese nenhuma ser lugar de propostas vazias, esquecidas ao primeiro dia de governo.

Ação social não é simplesmente distribuir vales e ampliar programas, é sobretudo estruturar a cidade para que ninguém precise, por exemplo, viver ao lado do esgoto a céu aberto. É pensar caminhos educacionais que almejam a qualificação e a liberdade do estudante. Pensar educação não é somente olhar números, porque nem sempre eles são a realidade. Do mesmo modo, dizer há mais dinheiro no campo da saúde, não significa haver médicos nos postos de atendimento. Assim como a efetivação de polos de isenção fiscal não é proposta de execução simples.

Aos candidatos, repito, faltou engajamento, faltou a compreensão do significado da palavra debate. Lhes faltou, em algum nível, o conhecimento da própria cidade e dos seus problemas.

Espera-se nos últimos dias de campanha que estão por vir, se façam diálogos mais propositivos e menos atacados. Que se mostre a exequibilidade daquilo que se promete. Espera-se que Argemiro solte a âncora em que está apoiado e faça um olhar crítico sobre sua gestão. Afinal, deve ser cotidiano ao gestor público a reavaliação de seus atos. Espera-se que ele encontre melhores palavras e deixe de usar termos racistas, como “denegrir”. Assim como se espera o estabelecimento de diálogo altivo com todas as esferas do executivo, pois não se pode esperar quatro anos para falar com o governador.

Espera-se que Dr. Guilherme se desloque das imagens que o circundam, é fundamental sempre que o postulante se coloque em jogo, pois quem conduzirá os rumos da cidade é o prefeito. A proximidade com o grupo político estadual atual é excelente, mas ela não dura para sempre, e até mesmo o jogo político atual pode virar. Espera-se uma postura mais incisiva e que se mostrem factíveis suas propostas.

Que mais debates venham, e que nos próximos os candidatos dialoguem mais sobre a cidade, seus problemas e seu povo. O hoje não pode ser usado para endeusamento próprio, como feito pelo gestor atual. Assim como o passado não é a beleza eternamente pitada pela oposição. Campanha política é equilíbrio e debate, hoje em Barbalha faltou um pouco dos dois.

a integra do encontro entre os candidatos a prefeitura de Barbalha está disponível no canal no YouTube do Jornal OPovo.

A Rádio CBN Cariri também promoverá debates entre os candidatos de Crato e Juazeiro do Norte. O encontro entre os postulantes a prefeitura cratense será amanhã, 30, e entre os que almejam o executivo de Juazeiro do Norte será no sábado, 31. Mais detalhes aqui.

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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