Não me chama de graça: Pandemia, carnaval e economia

O carnaval, mas que a festa de “valer a carne” agrega uma cadeia produtiva que movimenta a economia do setor cultural e suas variantes, fortalece identidades e diversidades culturais, congrega pessoas, frutifica empreendimentos e organizações comunitárias.




O carnaval, mas que a festa de “valer a carne” agrega uma cadeia produtiva que movimenta a economia do setor cultural e suas variantes, fortalece identidades e diversidades culturais, congrega pessoas, frutifica empreendimentos e organizações comunitárias.   A economia precisa circular, neste período pandêmico, as políticas públicas para a cultura devem ser norteadas para a sobrevivência das trabalhadoras e trabalhadores da cultura de forma transparente, democrática, desburocratizada e de forma permanente.  

As vidas devem ser mantidas, as festas e as aglomerações evitadas e combatidas como política de estado. O enredo do carnaval deste ano deve ser pautado na defesa da manutenção das vidas, obviamente não se mantém vidas com alegorias.   

Esse tempo não é de aglomerações, mas também não é o período das lives e apresentações virtuais gratuitas para o Poder Público. Não é tempo de se abraçar e nem de abraçar um passado em que a política pública era desnorteada pelo discurso de “divulgação de trabalho”, continuamos querendo saber o que vamos comer hoje, amanhã e depois, esse período de instabilidade política, econômica e sanitária, não nos reserva tempo para a “festa”.  

A Lei Aldir Blanc apresentou caminhos importantes para distribuição democrática e republicana de recursos públicos como forma de redução dos danos provocadas pela Pandemia no país, e ao mesmo, detectou fragilidades e apetrechos jurídicos que precisam ser repensados, aprimorados e adequados à realidade diversa e particular do setor cultural, como forma de desburocratizar, didatizar processos e fazer chegar os recursos para além dos maratonistas de editais.

A ausência do carnaval deste ano gera prejuízos econômicos para diversos setores. Desde o setor hoteleiro ao vendedor de bombom, músico, costureira e designer gráfico, etc.  É preciso encontrar alternativas que possam reduzir esses impactos econômicos e não se esconder por trás da crise.

Os governos estaduais e municipais geriram a maior parte dos recursos para a cultura em 2020, através da Lei Aldir Blanc, fruto de grande processo de articulação da sociedade civil, gestores, parlamentares e militâncias partidários do campo democrático e da esquerda.   O que possibilitou a movimentação da economia do setor cultural, em alguns locais de forma satisfatória, em outros regular e também  com experiências revoltantes.

Como está a situação financeira de cada município e estado brasileiro e quanto tem para investir na política pública para a cultura? O que se coloca no momento não é o investimento na festa carnavalesca, até mesmo pela sua impossibilidade, mas o que está em jogo é quanto cada estado e município tem de recursos e quais gestores municipais e estaduais estão dispostos a defender a manutenção das vidas deste setor gravemente atingido pela pandemia.    

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Sobre Alexandre Lucas

Pedagogo, Presidente do Conselho Municipal de Políticas do Crato-CE, integrante do Coletivo Camaradas e da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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