Literatura Cearense: Um caldeirão de vozes femininas

Ler Literatura Cearense não exclui a leitura da Literatura Brasileira, Francesa ou
Americana. Literatura existe para ser lida, sobretudo, a nossa. Em particular, as obras
escritas por mulheres.




Coluna Literária, Colunas

Houve um tempo em que ao se falar se Literatura Cearense, vários nomes
masculinos eram lembrados: José de Alencar, Antônio Sales, José Alcides Pinto, Airton
Monte etc. Eles sempre existirão. Motivo de orgulho para nós, Cearenses.
Reforço, para os que já sabem; explico para os que ainda não sabem: A
Literatura Cearense é um caldeirão de vozes femininas. Entre os séculos XIX e XIX,
destacam-se nomes como Emília Freitas, autora de A Rainha do Ignoto (1899),
colaboradora assídua dos jornais literários como o “Libertador” e o “Cearense”.
Francisca Clotilde, autora de A Divorciada (1904), foi a primeira mulher a lecionar na
Escola Normal do Estado do Ceará e se envolveu na Campanha Abolicionista. Ana
Facó, autora de Rapto Jocoso (1906) e Nuvens (1907). Alba Valdez, autora de Dias de
Luz (1907), foi a primeira mulher a ingressar na Academia Cearense de Letras.
Lembrando que a todas, citadas e não citadas, foram negados o capital simbólico,
porque imperava a dominação masculina.
Mudam-se os tempos, somam-se as vozes, parafraseando Camões. Na segunda
metade do século XX, sobressaem-se nomes como Raquel de Queiroz, O Quinze
(1930), a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (1977) e a
primeira a receber o Prêmio Camões (1988). Ângela Gutierrez, em 1990, publica o
Mundo de Flora. Após 30 anos, continua sendo lido pelo público e aclamado pela
crítica. E depois de 116 anos, seus pares a aclamaram a primeira presidenta da
Academia Cearense de Letras. Natércia Campos é premiadíssima: da sua primeira obra
Iluminuras (1988) ao seu único romance, A Casa (1999).
Da próxima vez a Literatura Cearense for mote para uma conversa, não esqueça:
as mulheres são vozes potentes. Em caso de dúvidas, procure no Resquícios de

memórias: Dicionário Bibliográfico de Escritoras e Ilustres Cearenses do Século
XIX. São 71 vozes femininas esperando por você leitor.

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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