Juliette Freire: da Paraíba à campeã do BBB21

Convidei Andreia Santos para escrever conjuntamente comigo a coluna desta semana. Este texto é de nossa autoria.




Coluna do Paulo Rossi, Colunas

Assim que anunciada, Juliette logo chamou a atenção de quem estava acompanhando a revelação dos participantes na grade da Globo e nas redes sociais. Na chamada, foi apresentada como advogada, maquiadora e paraibana de 31 anos. Seus amigos e familiares aqui fora já tinham a primeira grande missão: mobilizar votos para imunizá-la já na primeira semana de programa. Deu certo. Juliette, Viih Tube, Lumena, Projota, Arthur e Fiuk foram os mais votados e já entraram na casa imunes, sem a possibilidade de irem ao paredão na primeira semana. Esse então foi o primeiro grande acerto do público e da pequena equipe que inicialmente administrava as redes da participante.

Nos dois primeiros dias de confinamento, enquanto o grupo de imunizados estava isolado em uma casa menor e os outros 14 participantes já estavam na casa oficial, Juliette já enfrentava aqui fora muitas críticas e piadas em relação ao seu comportamento com o cantor Fiuk, na qual ela dizia estar apaixonada. Parte do público considerou a advogada muito emocionada, chata e exagerada.

Quando os dois grupos foram reunidos, a coisa piorou para a paraibana, Juliette não conseguia se entrosar ou até mesmo conversar e ser compreendida pelos seus colegas de confinamento. Com isso, Ju passou a ser duramente criticada, zombada e excluída por quase todos os participantes da casa, o que gerou comoção por parte do público do reality, que acabou adotando a paraibana e impulsionando suas redes sociais que não param de crescer até hoje.

A partir da segunda semana do programa, quando enfrentou seu primeiro paredão contra dois aliados do jogo, Arcrebiano e Gilberto, Juliette passou a despontar como favorita a ganhar o 1 milhão e meio de reais. A paraibana, que durante boa parte do programa foi excluída, incompreendida e menosprezada, mostrou coerência e resiliência diante das circunstâncias desfavoráveis.

Com uma leitura de jogo impecável, Juliette conseguiu contar sua própria história a partir do resultado do seu primeiro paredão, onde foi salva pelo público. Para conseguir ser campeã, a paraibana teve de costurar sua narrativa inúmeras vezes: ao ser rejeitada por quase toda a casa, ao ser excluída do grupo de amigos a qual pertencia (o finado G3), ao ser apontada com características ruins em inúmeros jogos da discórdia e ao ser votada pela casa em inúmeros paredões, na qual em muitas vezes pôde ser salva pelos poucos amigos que restavam.

Juliette não conseguiu ganhar nenhuma prova do anjo e foi líder apenas uma vez, em jogo de sorte que levou o público e a internet à loucura. A nova campeã do BBB comprova que para ganhar o programa não necessariamente precisa-se ganhar provas, mas sim saber contar sua própria história. Ela foi uma boa amiga, foi íntegra e teve tempo de firmar laços, se reinventar e mostrar todo o seu carisma ao público.

Após a saída de Sarah, até então favorita, o “sofá” passou a adotar a paraibana como sua participante favorita de forma definitiva. Juliette era assunto nos programas de fofoca, nos programas da própria rede Globo, em portais e revistas. Ela se tornou maior que o próprio programa. Há muito tempo não se via no BBB uma personagem tão conectada com o pensamento do público externo, isso permitiu que Juliette narrasse sua própria história, independente da edição do programa. Prova disso está no crescimento exponencial dos seus perfis nas redes sociais, na quantidade de músicas escritas para a participante, na procura das marcas e no sucesso e engajamento ocasionado pela imagem da participante.

O “Big dos Bigs”, como foi chamado pelo apresentador Tiago Leifert, acabou com uma campeã à altura. Do anonimato ao estrelato, Juliette Freire ganhou o Brasil e as redes sociais como poucos anônimos, e até mesmo famosos, jamais conseguiram.

100 DIAS DE BBB21

Com o elenco previamente anunciado em meados de Janeiro, o BBB21 prometia ser o “Big dos Bigs”. Se você considerar a montanha russa de emoções que o programa causou e a forma como parou o país em diversos momentos, superando a audiência de seus antecessores, é uma afirmação até justa, porém, do ponto de vista prático, o que o reality show serviu em grande quantidade mesmo este ano foi humilhação, constrangimento, tristeza, tortura psicológica e humilhação pública.

Lucas Penteado, primeiro protagonista desta edição, se viu obrigado a desistir do programa e viu seu nome, de uma semana para outra, ganhar as casas, redes e ruas do país. Até assessoria o artista perdeu em um momento inicial de “cancelamento” (outro tema bastante recorrente da edição) e logo após ganhou outra equipe quando quase se tornou herói nacional e foi projetado como um verdadeiro vencedor ao desistir de continuar sendo ridicularizado em rede nacional pelos demais participantes, que não economizaram na hora de protagonizar cenas horríveis, pavorosas, grotescas, como expulsá-lo da mesa do almoço, chamá-lo de “merda”, apontar dedos, entre outros (Karol Conká chegou a precisar ser interrompida pela produção em um determinado momento de tanto que falava mal do garoto pelas costas). Nem para sair teve paz: Rodolffo fez questão de tentar de todas as formas abrir a porta do confessionário para que Lucas fosse embora, Pocah inventou que sua família havia sido ameaçada por ele, Projota se armou com uma faca e absolutamente todo o elenco duvidou do beijo entre ele e Gil, que foi lindo, trazendo à tona a bifobia.

E por falar em bifobia, as pautas identitárias marcaram presença e continuam cada vez mais fortes neste reality show, banalizando ou não discussões que deveriam ser sérias e não prós ou contras de participantes passíveis de passamento de pano se for o meu favorito ou de cancelamento se for o participante que não gosto.

O nível de profissionalismo das torcidas também continua em uma crescente, e chamou a atenção a forma como os social media atuaram de forma bastante eficiente (ou não) aqui fora. Não à toa esta edição bateu recordes nas redes sociais e consagrou o elenco mais seguido da história do Big Brother Brasil. Destaque para a brilhante equipe de Juliette, que fez um trabalho absolutamente incontestável que ajudou e muito na construção do fenômeno (para o bem e para o mal) que é a participante, um símbolo hoje, não mais uma mulher. Como já destacado anteriormente, Juliette, assim como Lucas, foi perseguida em diversos momentos, desacreditada e isolada da casa. Aqui fora, foi desmerecida de todas as formas possíveis, até se tornar a grande favorita e parte de sua torcida se tornar tão insuportável quanto seus haters.

OS PERSONAGENS

Se por um lado os personagens decepcionaram e arruinaram a saúde mental do país por semanas, por outro foram eles também que conseguiram, em momentos pontuais, redimir o programa. O entretenimento de Gilberto e a força de Juliette, entre outros, conquistaram o Brasil e inevitavelmente, infelizmente, trouxeram à tona a dificuldade das pessoas em manter o respeito. As brigas, principalmente entre as duas torcidas, fizeram das redes sociais lugares infernais. Até crimes foram cometidos por ambas as torcidas (a de Juliette, por ser expressivamente maior em números, pela lógica matemática reuniu também a maior quantidade de pessoas ruins).

Abaixo dos dois, tivemos Sarah que foi de mocinha à vilã numa escala de 180 graus, Carla que desperdiçou todas as chances de brilhar, muitos bananas, verdadeiros lixos radioativos, mudanças de personalidade de pessoas que aqui fora são de um jeito e lá dentro agiram de outro e muitas, mas muitas plantas, algumas até incapazes de falar.

E AÍ?

Sucesso de audiência, o BBB21 se tornou o centro das conversas em todo o país, os participantes eliminados se viram ocupando boa parte da grade de programação da rede Globo, Ana Clara merecidamente ganhou um programa diário – o Plantão BBB, e o faturamento do reality show multiplicou na casa da centena o valor do prêmio, 1 milhão e meio de reais.

Agora, depois de tantas pautas geradas, tantos conflitos, amores e ódios (fora e dentro das redes), resta acompanhar os participantes que certamente irão se manter por um bom tempo na mídia, revisar tudo o que este “Big dos Bigs” gerou de discussões e aguardar pelo BBB22, que terá muito trabalho para superar, negativamente e positivamente, esta edição.

PS.: Um vídeo interessante para se entender o fenômeno Juliette: https://www.instagram.com/p/COdQRItn0Iw/?utm_source=ig_web_button_share_sheet.

Sobre Paulo Rossi

Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri - UFCA. Amante, principalmente da 'dúvida'. Existencialista. Sonhador. Louco.

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