Henriqueta: Uma Galeno em destaque

Nascida em 23 de fevereiro de 1887, Henriqueta Galeno, escritora, poetisa, educadora e ensaísta contribuiu de forma decisiva para que as mulheres tivessem voz nas letras cearenses.




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Quando pensamos nas letras cearenses, surge-nos nomes como: Artur Eduardo Benevides, Antônio Sales, Adolfo Caminha, José de Alencar, entre outros. A grande questão é: onde estão as mulheres neste processo? Durante o século XIX, poucas tinham acesso à educação e ao espaço público, pois sendo consideradas um ser subalterno estavam em casa servindo ao pai e, depois do casamento, ao marido.

São, justamente, as exceções que tornam as narrativas mais instigantes. Filha do poeta cearense Juvenal Galeno – “Prelúdios Poéticos” (1856) – Henriqueta Galeno nasceu no dia 23 de fevereiro de 1887, em Fortaleza.

Ativista dos movimentos culturais e literários da capital, formou-se em 1918 em Direito, período em que pouquíssimas mulheres frequentavam a escola. Henriqueta defendia que elas deveriam, se assim quisesse, frequentar os diferentes espaços públicos e participar das atividades vigentes.

Advogada, educadora e escritora, Henriqueta fundou e dirigiu, em 27 de setembro de 1919, o “Salão Juvenal Galeno”, que em 1936, transformou-se na “Casa de Juvenal Galeno”, R. Gen. Sampaio, 1128 – Centro, Fortaleza, hoje, não mais residência dos Galenos – Instituição cultural mantida pela Secretária Cultural do Ceará, que congrega mais de vinte instituições literárias e mantém intercâmbio com outras agremiações com a missão de propagar a cultura cearense.

Membro da “Associação Cearense de Imprensa” e imortal da Academia Cearense de Letras (cadeira nº 23, cujo patrono era o pai). Publicou estudos sobre “Júlia Lopes de Almeida”, “Maria Quitéria – A Primeira Mulher-Soldado do Brasil” e “Mulheres Admiráveis”, obra póstuma.

Henriqueta funda a “Falange Feminina” (1936), hoje Ala Feminina, com o propósito de “desafiar a oposição e a rudeza da época”. Somos gratas, Henriqueta, por criar uma narrativa nas letras cearenses, em que a mulher ganha voz e passa a ter papel de destaque.

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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