Ferreira Gullar: Um Concretista–social

Poeta, crítico de arte, teatrólogo, memorialista, tradutor e ensaísta




Coluna Literária, Colunas

José Ribamar Ferreira ou, simplesmente, Ferreira Gullar, é junção do nome dos pais, porque ele acreditava que “Como a vida é inventada eu inventei o meu nome” –  nasceu em São Luiz do Maranhão, em 10 de setembro de 1930. Sujeito político – Gullar foi poeta, crítico de arte, teatrólogo, memorialista, tradutor, ensaísta e postulante da cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Leitor dos poetas Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, Gullar estreia na Literatura com apenas 19 anos de idade com a obra “Um pouco acima do chão”, em 1949. No ano de 2002, foi indicado para o “Prêmio Nobel de Literatura”. Por duas vezes recebeu o “Prêmio Jabuti” – em 2007 com a obra “Resmungos” e, em 2011, com “Em alguma parte alguma”. Em 2010, recebeu o “Prêmio Camões”, o mais importante da literatura de Língua Portuguesa. Premiado e multifacetado, a poesia de Gullar é a fusão entre a subjetividade, a força e a sensibilidade em exprimir a complexa realidade do homem moderno.

“Bacharelado em subversão”, segundo suas próprias palavras, militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), preso, torturado no período da Ditadura, escreveu, no período em que esteve exilado em Buenos Aires seu “Poema Sujo” – um texto forte e  provocativo  capaz de incomodar  e sensibilizar o leitor, gerado das experiências  e das pauladas que Gullar afirma ter levado da vida. Em retribuição a tantos retaliações impingidas por acreditar em uma sociedade mais igualitária, o idealizador do Neoconcretismo –  um novo olhar sobre a arte que não fosse racional, objetiva e geométrica, como queriam os Concretistas – diz ter sentido vontade de escrever algo que fosse mais que ele, mais que sua “vida toda, na medida em que minha vida toda é a vida de todo mundo”.

Mobilizar por meio da palavra parece ser a tônica de nordestino, como observa-se no poema “Não há vaga”:

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
luz e telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão…

Formado por versos livre, linguagem simples e direta, o poema evidencia a preocupação do poeta com os problemas sociais de seu tempo e, infelizmente, de nossa realidade.

Ferreira Gullar subverte a sintaxe, extrai sons e acrescenta significados vários às palavras transformando a atividade poética em uma espécie de ritual linguístico capaz de arrebatar o leitor e levá-lo a questionar qual o papel da arte.

*Idealizadora do Blog Literário Nordestinados a Ler

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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