DIREITOS AO INVÉS DE FLORES!

Dia Internacional da Mulher é para discutir ações para desconstrução da opressão da mulher nas esferas artística, política, econômica e social. Depois, sim, podem mandar flores para nos parabenizar por nossas conquistas.




Coluna Literária, Colunas

Neste dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, almejamos por direitos iguais nas esferas artística, política, econômica e social. Depois, sim, podem mandar flores para nos parabenizar por nossas conquistas.

Em virtude da política do patriarcado, a mulher foi silenciada, excluída e subjugada. Foi-nos negado o capital simbólico (aquilo que chamamos prestígio ou honra e que permite identificar os agentes no espaço social). Se ler, escrever e frequentar os espaços públicos não era permitido às mulheres brancas, o espaço reservado à mulher negra era muito mais inferiorizado.

Nossas histórias sempre foram contadas por uma voz masculina. Ultrajante e inadmissível!. Ainda no século XIX, Virgínia Woolf, defendia que toda mulher para contar sua trajetória precisava de um teto todo seu e dinheiro para poder se sustentar.

Sem voz, sem domínio sobre nosso próprio corpo, sem direito à propriedade de bens e valores, sem um espaço para produção literária, o cânone literário foi dominado eminentemente por homens brancos, de famílias abastadas, impregnados de ideias estereotipadas em relação ao gênero feminino. Infelizmente, até hoje nem todos conseguem perceber esse tipo de dominação – violência simbólica –  que ocorre de forma imperceptível, dissimulada e naturalizada por nossas instituições. 

O modo de produção social foi responsável por criar uma literatura eminentemente produzida e lida pelos homens. Nas letras cearenses, por exemplo, há escritoras de grande expressividade, mas que ficaram silenciadas, como, Emília Freitas, autora de A Rainha do Ignoto (1899); Francisca Clotilde, com o romance A Divorciada (1904); Alba Valdez, com sua novela Dias de Luz (1907); e Ana Facó, com Páginas Íntimas (1938).

A História da Literatura é marcada pela exclusão, marginalização e a sujeição das mulheres. Contudo, ela é também caracterizada pela resistência. Que não apenas hoje possamos refletir sobre o lugar conferido à produção literária das mulheres. Que sigamos lutando para sermos protagonistas de nossa própria trajetória.

Sobre Luciana Bessa

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Ceará e Coordenadora da Roda de Poesia do Coletivo Camaradas

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