Brasil: um país que sangra pela Covid-19

Vivendo o que parece ser o pior momento da pandemia de Covid-19, o país está entregue ao caos. O sistema de saúde chegou ao colapso, a vacinação segue em passos lentos e o executivo federal segue consolidando as faces de um pesadelo. Em meio a ingestão, aparentemente o presidente se regozija.




Colunas, Paulo Junior
Ato em frente ao Congresso Nacional. Cruzes estão fincados no gramado do legislativo nacional.

Pouco mais de um ano atrás esta coluna estreava no foobá. Em 19 de março de 2020, quando o primeiro texto foi publicado, a temática circundava a ascensão da pandemia de Covid-19 e a ingestão absurda do executivo federal. Aquele texto tinha como norte principal indicar que o presidente Bolsonaro seguia alheio a pandemia, como se em sono profundo não estivesse enxergando o que assolava o país. Bem, após um ano daquele texto, aparentemente o governo segue dormindo. Porém, nem de longe o berço é esplêndido.  

O sono do governo federal vem custando vidas nacionais, vem custando o colapso do sistema de saúde e os frangalhos indescritíveis da economia brasileira. O país está vivendo hoje um de seus piores momentos históricos, o futuro reserva a inglória para muitos dos gestores atuais. Reserva a inglória, pois mediante o trajeto da morte vê-se alguns agindo pela sua consolidação.

O colapso que se nota na rede de saúde não deve em hipótese alguma ser tratado com surpresa, pois está tragédia estava a tempos anunciada. Quando não são observados os trâmites e ações efetivas de combate e superação de uma pandemia, ela tende a colapsar o sistema de saúde. O Brasil apostou, indulgentemente, na ignorância, na rasidão de pensamento e em um fazer político que ultraja e humilha o cidadão.

Já são quase 12 milhões de casos oficialmente registrados, e mais de 294 mil vidas ceifadas. Naturalmente que o lastro de uma pandemia é complexo, deixa profundas marcas. Entretanto, quando se trata o incomum com a coerência e a complexidade necessárias, os impactos caminham para sua redução.

Não adianta buscar muitas explicações, as justificativas para o desastre brasileiro na condução da pandemia têm nomes e endereços conhecidos. São públicas as declarações do presidente desacreditando a pandemia, afirmando que se tratava de algo “superdimensionado”. O superdimensionamento do mandatário da nação está transformando o Brasil em um celeiro de variantes do novo coronavírus. Há duas semanas o Brasil é a nação com mais mortes por Covid-19. E quando são observados os dez países com mais mortes pelo novo coronavírus, apenas as terras tupiniquins veem seus dados aumentarem.

Em meio a isso a pergunta que fica é: o governo vai acordar em algum momento? Sinto informar, aos que ainda pensam que ele dorme, que há tempos o governo está desperto. Hoje em dia o executivo federal não mais se encontra adormecido, ele acordou ao Covid-19. No entanto, acordou para seguir construindo a sua narrativa de perseguição e absurdo. A gestão da pandemia persiste pairando sobre a ingestão.

Enquanto faltam leitos de enfermaria e UTI em todo o território nacional, o governo produz aglomerações e sem máscaras grita ao povo que ninguém irá tirar sua liberdade. A liberdade bolsonarista tem tons difíceis de serem observados, pois a liberdade bolsonarista funciona como uma prisão. E nesta prisão o algoz ainda consegue ser amado por alguns.

Em meio ao caos ocorreu mais uma troca no Ministério da Saúde, sai Pazuello e entra Queiroga. Marcelo Queiroga chegou ao governo com status de defensor da ciência, porém, já se ouviu da boca de Pazuello que seu sucesso reza pela mesma cartilha. O próprio Queiroga já flexibilizou suas posições, assim, o país trilha caminho para seguir em um lastro de dores. Com uma biografia a zelar, espera-se que o ainda presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia não jogue a ciência fora para alinhar-se ao raso do bolsonarismo.

Trago novamente aqui a informação de que mais de 294 mil brasileiros morreram perante a Covid-19. Enquanto eles agonizavam em lugares mil pelo país, o presidente achou de bom tom imitar alguém sofrendo de falta de ar. O patriotismo de Bolsonaro não alcança o seu exemplo, o seu discurso e as suas crenças. O patriotismo Bolsonaro se dilui nele mesmo, na sua incapacidade de compreender o significado da palavra e do sentimento.

Enquanto o presidente brada nas lives de quinta, o Brasil patina na vacinação. Patina, pois o país perdeu o bode, o trem, até o ônibus já passou. No momento de comprar o governo silenciou, calou-se para compra e gritou surrealismos anti-ciência. A ode a ignorância do bolsonarismo é a ode à destruição.

O mundo está se vacinando. Já há lugares em que é possível sair as ruas sem desespero. No Brasil, isso não passa de um sonho que ainda parece distante, longínquo. Apenas 5.5% da população recebeu a primeira dose.

O amanhã ainda está escuro, as falas contra a vacinação persistem. Vez ou outra um movimento de compras acontece e há uma luz de esperança. Enquanto governadores buscam agir para frear a contaminação, o presidente vai ao STF para coibir ações de restrição a circulação.

Há um vácuo na presidência da República, a cadeira é ocupada pelo rasteiro, vazio, pela ingerência. Bolsonaro age buscando manter seu discurso vivo, mas para o discurso viver há um preço altíssimo sendo pago. E mesmo diante do indescritível preço, o discurso se desmancha, o governo se esvaio. Bolsonaro quer manter-se no poder. Enquanto ele estiver ocupando o assento do Planalto, haverá uma mancha vermelha espalmada no solo brasileiro. Já se foram mais de 294 mil vidas.

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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