Atos de 7 de setembro serão mais uma cortina de fumaça do desgoverno Bolsonaro

O Governo Federal está imerso em crises, investigações, indicadores econômicos negativos, além da ingestão pandêmica. Diante disso, Bolsonaro quer criar distrações, ameaça e conclama seus apoiadores para atos antidemocráticos no dia da Independência




Colunas, Paulo Junior

Em tempos pandêmicos o país chega, mais uma vez, ao 7 de setembro. O momento da independência está um tanto esvaziado, o grito proclamado por D. Pedro I já não ressoa como antigamente, e nem a história inventada é capaz de trazer algum brilho ao momento atual. Especialmente, quando o dia da Independência do Brasil promete ser marcado por atos antidemocráticos. Atos, estes, divulgados e convocados pelo próprio presidente da República que, cada dia mais, estica a corda do autoritarismo. Contudo, Bolsonaro é parco, e como parco, usa de manifestações rasas para esconder o fracasso retumbante de seu governo.  

As manifestações de rua chamadas para o dia de amanhã, 07, devem marcar mais uma movimentação pouco engajada do movimento bolsonarista. Seguidamente, o grupo de apoio duro do presidente vem caindo, desmoronando como sua popularidade. Os bolsonaristas de ocasião estão cada vez mais envergonhados, e o grupo cego um tanto mais restrito. É provável que os atos desta terça-feira tenham um pouco mais de engajamento que os anteriores, mas nem de longe irão lembrar outros movimentos de rua já observados.

Assim, o 7 de setembro do presidente deve ser igual ao propagado desfile das Forças Armadas, pouco representativo, mas com muitos gastos envolvidos. A decadente demonstração de força militar custou aos cofres do estado cerca de R$3,7 milhões. Logo, haverão custos ao 7 de setembro, infelizmente, são serão apenas os custos de um desfile protocolar. Bolsonaro gasta rios de dinheiro em leite condensado, em viagens desnecessárias, em motociatas pelo país. Gasta quando a economia está em crise e o povo, literalmente, morre.

As manifestações do 7 de setembro certamente têm como objetivo base a construção de cortinas de fumaça. O presidente quer, novamente, esconder a inglória de sua gestão. No Governo Bolsonaro a pandemia fez/faz um estrago avassalador. Já são quase 600 mil mortos, e o presidente segue desautorizando autoridades de saúde, falando contra vacinas e provocando aglomerações por aí a fora. Ele grita patriotismo, mas em prática pouco sabe o que é isso. Deve ser devido ao seu limítrofe entendimento das coisas.

No bojo da cortina de fumaça, também, deve ser posto o crescimento da inflação, nos últimos doze meses ela está em 8,99%, bem distante do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, que é 3,75%. Neste quadro, o poder de compra do salário mínimo foi reduzido, o trabalhador está gastando mais ter o básico, comer, vestir, morar, sobreviver está caro. E pior, nem todos estão conseguindo pagar essa conta.

Paulo Guedes, ministro da Economia, está em um mundo de sonhos. Diz ele que a economia brasileira vai decolar, mas o voo está bastante atrasado. E no conjunto da cortina de fumaça, também há o desejo de esconder o decréscimo do PIB nacional, que no segundo semestre regrediu em 0,1%.

No caos bolsonarista ainda existe uma crise energética com poucos precedentes recentes. Crise tamanha que o ministro de Minas e Energias, Bento Albuquerque, usou de pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para pedir que a população economize energia. No meio dessa desordem, a conta de luz ficou mais cara, sob uma nova bandeira tarifária, os boletos mensais trarão o acréscimo de R$14,20 a cada 100kWh consumidos.

Ainda há mais, o núcleo do presidente está imerso em crises de corrupção. As rachadinhas voltaram ao noticiário, novos depoimentos indicam que o clã da família Bolsonaro usou e abusou desse tipo de esquema. Além disso, seguem as investigações sobre as suspeitas de superfaturamentos de contratos em compras de vacinas. Nesse meio, acresce-se o desmonte e aparelhamento do Estado, a fim de impedir investigações. E o uso de mecanismos que tentam fazer esquecer as vergonhas de agora. Vergonhas e incoerências tantas, que a Marinha impôs sigilo de cinco anos à operação que gerou o fatídico desfile militar.

No entremeio da cortina de fumaça ainda tem que existir espaço para as dificuldades em emplacar um nome no Supremo Tribunal Federal, na vaga deixada por Marco Aurélio Mello. A negativa do voto impresso. E a queda considerável na popularidade do presidente, ele vem observando perdas até nas redes sociais, onde seu número de seguidores vem reduzindo em patamares não vistos desde 2017. Os 51% de desaprovação e os 11% de voto consolidado, eleitores que dizem votar em Bolsonaro em qualquer circunstância, também o fazem temer. E temendo que tudo isso, e muito mais, ganhe o foco, as páginas dos jornais e as mídias sociais, ele age na surdina e cria sua própria cortina de fumaça.

O autoritarismo de Bolsonaro, as tentativas de golpe e as ameaças às instituições devem ser rebatidas com veemência e agilidade. Ele cria a cortina de fumaça para esconder seus fracassos e tentar reencontrar um maior apoio popular. O 7 de setembro, deveria, em síntese, ser uma marca até pomposa de patriotismo, mas nos últimos anos está reduzido ao nada, reduzido a manifestações inglórias e que de patriotas não tem nem mesmo o aparato. O que elas têm é a sanha do autoritarismo, da segregação e da ameaça a democracia. Porém, apesar de barulhentos, não se pode crer que 11% sejam capazes de roubar um país por completo.

A fumaça, às vezes, faz com que que os olhos ardam, impedindo a visão por alguns instantes. Entretanto, ela sempre se dissipa, e é o que se faz após isso que define uma nação. A fumaça bolsonarista já foi mais forte, ela está se dissipando, tenta voltar. Este é momento de agir. Será permitido que essa fumaça volte a cegar?  

Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA. Um apaixonado por política, literatura e cinema. E-mail: [email protected]

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