Asfalto não é desenvolvimento nas periferias

Nas periferias, o trânsito humano é fundamental para o processo de humanização e construção de um sentimento comunitário.




É preciso confrontar a fábrica da mentalidade asfáltica e apresentar o perigo dessa compreensão de pavimentação para às pessoas e a infraestrutura das cidades, notadamente para a ambiência comunitária. 

Esse é um debate complexo e necessário para construir novas perspectivas de urbanização, focadas em ambientes saudáveis, criativos, inteligentes, econômicos, com redução dos impactos ambientais e a garantia da participação social.

O asfalto é associado ao desenvolvimento e a espaços mais bonitos. Primeiramente é preciso afirmar que asfalto não é desenvolvimento e o seu valor estético pode ser questionável, principalmente quando relacionamos à estética para além do visual e ampliamos para os outros sentidos sensórios.  Tem gente que achar que comer enlatados é desenvolvimento, possivelmente as embalagens e as características estéticas dos produtos são agradáveis,  o que não sinaliza que são alimentos saudáveis para quem consome e para o meio ambiente.

Asfalto é desenvolvimento para quem? Para a empresa que faz esse tipo de pavimentação? Para os donos de veículos?  Ou para a população? Certamente, o asfalto não beneficia a população? Principalmente as populações periféricas, onde a precarização urbana e social compõe a paisagem cultural. A arquitetura econômica impõe formas desiguais da organização urbana e de condições sobrevivência e reinvenção humana.

O asfalto é o príncipe serial killer das populações periféricas,  que encanta as populações como algo bom, porque está ligado a um tipo de pavimentação inserida em áreas nobres, ou seja, locais de moradia, onde predominantemente, as pessoas possuem carros e não tem momentos de lazer no espaço urbano da sua localidade.   O que diferencia drasticamente das populações periféricas, em que predominantemente, a população não possui transporte automotivo e que o espaço urbano é o local de integração comunitária.       

O asfalto dar passagem a velocidade e ao barulho, consequentemente retira a calmaria e o silêncio, coloca em risco a vida população, em especial das crianças e dos idosos, onde nas periferias esse é também um espaço de circulação de pessoas.  “A rua (das periferias) é um espaço de misturar gente” e a sua urbanização deve ser norteada por essa ótica.

O asfalto gera problemáticas para infraestrutura urbana, a impermeabilização do solo nas periferias tem demonstrando de forma mais evidente os seus prejuízos no período chuvoso, em que os alagamentos e os centros urbanos são atingidos de forma mais visíveis. Neste sentido, asfaltar a periferia gera danos para toda a cidade.

 O aumento da temperatura é perceptível em áreas asfaltadas. Periferia mais quente e mais propicia as doenças e acidentes. Compensa elevar de forma permanente a temperatura nas áreas periféricas para privilegiar os carros em detrimento da população? 

Existem outras formas de pavimentação que podem elevar a autoestima da população a partir da estética urbanística, considerando aspectos da memória afetiva dos lugares e o desenvolvimento a partir de um olhar vinculado a promoção da saúde, integração humana e da redução dos impactos ambientais, é preciso se conectar a outras urbanizações em que a máquina humana é primária diante dos motores do capital.

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Sobre Alexandre Lucas

Pedagogo, Presidente do Conselho Municipal de Políticas do Crato-CE, integrante do Coletivo Camaradas e da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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