Apocalipses

2018. 2019. 2020.

2018.

Mais um namoro chega ao fim. A Netflix lança uma série melancólica e apocalíptica e me acerta em cheio. E eu vejo The Rain entre as lágrimas da série e da vida. A trilha sonora, que me chama atenção, me revela uma música que já era conhecida por muitos: Apocalypse, de Cigarettes After Sex. E eu passo a devorar o primeiro disco da banda.

Meses depois, encontro com Jackie em Fortaleza. Vamos à Beira-mar. Ouvimos Apocalypse. A música me marca pela segunda vez. 

2019.

Viajo para Portugal para morar lá por seis meses. Cigarettes After Sex lança seu segundo disco. Passo madrugadas andando pelas ruas portuguesas ouvindo o álbum, principalmente Don’t Let Me Go. Ando a passos largos. Tranquilo. Procurando. Olhando pro céu e pensando. A lua entre as estrelas, o céu nublado, o vento frio agitando o cabelo. Sinto saudade. Me sinto feliz.

2020.

Não tenho o que fazer na casa de Luiza. Puxo assunto com um carinha do Instagram. Esse carinha me acompanha por todas as minhas viagens pela Europa. Me faz companhia mesmo sem estar lá fisicamente. Entro em pânico em Paris. Telefono pra ele. Ele atende, conversa por uma hora comigo. Me escuta. Ele é um bom ouvinte. Me afaga ao seu jeito. Durmo mais tranquilo.

Não paramos de falar. Dois meses se passam. Ele vai me esperar no Crato. Eu chego. Nos vemos algumas vezes. Coronavírus. O destino irônico nos faz ficar mais uma vez sem poder se ver. Agora estando próximos. Sinto sua falta. Sinto falta de deitar ao seu lado e não fazer nada. Só contemplar nossa existência.

Como um amor fadado ao desencontro pode ter dado tão certo? Porque nosso amor não tem pressa alguma. Nosso amor é tranquilo e firme. Nasceu a milhas de distância. Nossa ligação não é física. É um pacto entre almas que sonham em aliança. É silencioso e entende que não há promessa a ser cumprida. Nossas promessas são vividas.

Nosso amor me faz pensar sobre tudo que vivi e me trouxe aqui. Errei tanto, é verdade. Mas vivi mais ainda. E a certeza de que a caminhada me trouxe até aqui, até esse Apocalypse pandêmico me faz pensar que há dois anos assistindo The Rain ou na praia com Jackie nossos destinos já haviam de se cruzar, baby. Você me disse que amava Cigarettes After Sex numa noite fria em Portugal. Na noite quente de hoje, eu digo que amo você.

Espero ansioso pelo dia em que vamos viver nossas vidas juntos. Porque nosso amor é apocalíptico também, como diria Cigarettes After Sex: “Existe música em você, baby/Diga-me o porquê/Nós fomos trancados aqui para sempre e simplesmente não podemos dar adeus”. Essa é a terceira e última vez que essa música me marca. E é a última vez porque agora eu entendo que não é sobre ela, é sobre você.

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Sobre Paulo Rossi

Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri - UFCA. Amante, principalmente da 'dúvida'. Existencialista. Sonhador. Louco.

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