A ilusória popularidade bolsonarista

Levantamentos recentes têm indicado crescimento na aprovação ao Governo Bolsonaro, porém, é preciso olhar os números com calma, pois neste caso a aprovação tende a ser momentânea e com origem conhecida




Tem crescido os debates acerca da popularidade do atual Governo Federal, pesquisas recentes dão conta de uma crescente nos números de aprovação da gestão Bolsonaro, chegando ao melhor patamar deste ano, cerca de 40%. No entanto, é preciso observar os fatos com cuidado, pois este recente aumento da aceitação do método bolsonarista não tem larga sobrevivência. Bolsonaro surfa, ainda, uma onda construída pelo auxílio emergencial.

A popularidade do Governo, atualmente, bebe fortemente na ajuda emergencial gerada em decorrência da pandemia de coronavírus, há um senso rápido de aprovar aquilo, ou aquele, que, em tese, provê uma melhor situação econômica, essa é uma lógica simples e comum. Nessa linha, é preciso dizer que o próprio Bolsonaro colhe frutos de uma proposta que sua equipe econômica não construiu, o plano de apoio inicial era de R$200,00 , e este plano foi defendido enquanto foi possível pelos membros do Governo. Os R$600,00 vieram, somente, por um processo de articulação e pressão feito no seio do Congresso Nacional.

Todavia, os louros da vitória foram comemorados por Bolsonaro, que se viu ganhando números de aprovação, assim, resolveu surfar nessa onda enquanto for possível, daí vem a proposta do Renda Brasil. O programa de renda básica tem em sua gênese um forte viés político e a busca, clara, do executivo federal de engendrar meios de firmar alguma razoabilidade de aprovação, para que deste modo o presidente possa encontrar alguma competitividade em 2022.

Há, ainda mais, a pesquisa do BigData, que atribuiu os 40% de aprovação, foi feita antes da redução do valor do auxílio emergencial, e antes da disparada nos preços de itens indispensáveis da cesta básica, neste lastro cita-se o exemplo do arroz e do óleo de cozinha que, em alguns locais, estão sendo comercializados por mais que o dobro de quinze dias atrás.

Realizando uma observação mais profunda dos dados elencados, poder-se-á notar, também, algumas especificidades estatísticas. Parte importante das pessoas que consideravam o Governo como ‘ótimo’ ou ‘bom’ passou a considera-lo ‘regular’. Portanto, mesmo observando um incremento da sua aprovação, o Governo observa uma redução palpável na sua avaliação. Este fator também pode ser utilizado na percepção da momentaneidade dos dados, ou seja, na sua fragilidade e posterior redução.

A aprovação do Governo Bolsonaro sempre esteve beirando os 30%, variando nas expectativas da margem de erro, alterações mais profundas somente foram vistas agora, a partir da injeção rápida da ajuda de custo, fator consubstanciado pela pesquisa XP/Ipespe, de acordo com este levantamento, 40% dos entrevistados tinham sido beneficiados com o auxílio emergencial e outros 2% acreditam que irão receber. Observando por esse espectro, torna-se algo esperado que em breve surja um realinhamento dos números. Nesse sentido, pontua-se que a avaliação também atingiu aquilo que parece ser seu teto, levantamentos do DataPoder indicavam uma curva ascendente para a gestão Bolsonaro nos últimos dois meses. No entanto, a apuração mais recente dá conta de um recuo de 2%.

Bolsonaro, e seu grupo, estão envoltos em questões de elevada complexidade, raramente conseguem pautar-se por ações benfazejas, tem sido marcado por atividades deletérias ao exercício da vida pública. No poder, tem se guiado, como já demonstrado nessa coluna, por uma histórica rasidão de pensamento, além de nítida ignorância para os assuntos fundamentais do país. Neste quadro, imaginar uma elevada aprovação popular seria um pouco irracional, entretanto, a irracionalidade também tem sido regra.  

Neste instante os dados de aprovação encontram sua lógica no acréscimo da renda do brasileiro pobre, mas esse acréscimo já foi reduzido, tem o fim agendado e olha o valor de produtos básicos subir a galope. Na pintura que se constitui, é improvável que este nível de inserção social se mantenha, e acredite, o governo sabe disso.

Diante dos fatos, o Governo agirá, como dito anteriormente, para manter o mínimo dessa base de apoio, tentando a todo custo firma-se com números próximos de 35%. Números que, talvez, possam lhe garantir uma vaga no segundo turno de 2022. Porque sim, o candidato que bradou pelo fim da reeleição, que disse que não iria disputa-la, já está articulando-se para garantir seu passe no próximo ano eleitoral.

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Sobre Paulo Junior

Graduando em jornalismo pela UFCA e um apaixonado por política, literatura e cinema

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