A escola não pode ser uma caixa preenchida de caixas

A espacialidade para o estudo não pode ser arquitetada fora da ciência da educação, pois a escola não pode ser tratada como um amontoado de caixas dentro de uma caixa; a escola não é um conjunto de salas de aula.




Coluna do Alexandre Lucas, Colunas

A arquitetura escolar não poder ser desvinculada de uma concepção pedagógica.  A escola tem que ser pensada para além das caixas, deve ser vinculada ao entendimento da formação integral do seu humano e a uma espacialidade capaz de proporcionar sonhos e liberdade, associada aos conceitos próprios que envolvem a engenharia e a arquitetura e que visam proporcionar comodidade e segurança. 
A escola assemelhada a um espaço de encarceramento e pulverizada de obstáculos espaciais, ainda é um modelo recorrente e sintetiza construções escolares antigas que continuam sendo predominantes nas escolas públicas brasileiras.
É comum encontrar escolas que não atendam aos critérios de acessibilidade e que apresentem abismos que colocam em risco o direito de brincar, não o reconhecendo como parte do processo de aprendizagem e socialização do espaço escolar. 
A escola pública tem que ter uma arquitetura favoreça a uma estética que proporcione aprendizagem, autoestima e cuidado coletivo.
Uma arquitetura para uma formação integral do ser humano passa por reconhecer que a escola tem como função social primária e democrática possibilitar apropriação do conhecimento historicamente produzido pela humanidade, o que exige mais que salas de aulas: requer laboratórios, biblioteca, auditório, galeria, atelier, teatro, cinema, espaços esportivos e de convivência. Estou falando de uma escola mesmo, escola que integra possibilidades de saberes e que a sua espacialidade é parte desse objetivo.  
A escola pública que atende prioritariamente as camadas populares tem que ter uma arquitetura grandiosa, ousada e que possibilite fazer uso da palavra democracia na sua práxis. A escola pública é o principal vetor de apropriação da cultura cientifica, mas também da cultura alienante e opressora produzida para as massas, o que requer contraposição para que o espaço escolar seja semeador pelos direitos humanos e da ampliação da visão social de mundo, tendo o saber popular como ponto de partida e nunca como ponto de chegada. A escola não pode perder o foco no conhecimento cientifico, filosófico e na fruição estética como instrumentos de compreensão da realidade e proposição de outras realidades.    
 A escola pode se alinhavar a uma arquitetura socialmente integrativa, ambientalmente confortável, interligada a tecnologia e a sustentabilidade e a economicidade de sua manutenção e ao mesmo comprometida com uma concepção pedagógica desalinhada com a hegemonia política e econômica que coloca a escola pública como formadora de subalternos.    

Sobre Alexandre Lucas

Pedagogo, Presidente do Conselho Municipal de Políticas do Crato-CE, integrante do Coletivo Camaradas e da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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